HPV e Câncer do colo do útero - Dra. Patrícia Peres - Ginecologista

HPV e câncer do colo do útero

Ginecologia

HPV e câncer do colo do útero

Você pode evitar o HPV e o câncer do colo do útero

Qual a relação entre o câncer do colo do útero e os HPV? Essa é uma pergunta bastante comum. Antes de tudo precisamos entender o que são os HPV (papilomavirus humano) são vírus transmitidos pela relação sexual, capazes de infectar a pele ou as mucosas.

Existem mais de 150 tipos diferentes de HPV, sendo que cerca de 40 tipos podem infectar o trato ano-genital, causando lesões benignas. São lesões como as verrugas genitais (chamadas crista de galo ou condiloma) e lesões malignas, devido ao seu potencial oncogênico, incluindo o câncer de colo do útero.

Pelo menos 13 tipos de HPV são considerados oncogênicos. Isso significa que eles apresentam maior risco ou probabilidade de provocar infecções persistentes e estar associados a lesões precursoras do câncer. Dentre os HPV de alto risco oncogênico, os tipos 16 e 18 estão presentes em 70% dos casos de câncer do colo do útero. Já os HPV 6 e 11, encontrados em 90% dos condilomas genitais e papilomas laríngeos, são considerados não oncogênicos.

De acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer), anualmente, 5 mil mulheres morrem e outras 15 mil descobrem ter câncer de colo do útero no país. Destas, 99,7% relacionado ao HPV. Um número alarmante e extremamente alto.

A maioria das infecções por HPV é assintomática ou inaparente e de caráter transitório, ou seja, regride espontaneamente. Tanto o homem quanto a mulher podem estar infectados pelo vírus sem apresentar sintomas. Quando não vemos lesões, não é possível garantir que o HPV não está presente, mas apenas que não está produzindo doença.

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Estudos comprovam que 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV, em algum momento de suas vidas. Essa percentagem pode ser ainda maior em homens. Estima-se que entre 25% e 50% da população feminina e 50% da população masculina mundial esteja infectada pelo HPV. Porém, a maioria das infecções é transitória, sendo combatida espontaneamente pelo sistema imunológico.

É possível detectar as lesões precursoras

A vacinação contra o HPV antes do início da vida sexual e o exame preventivo (de Papanicolaou ou citopatológico). são indispensáveis. Quando essas alterações que antecedem o câncer são identificadas e tratadas, é possível prevenir a doença em 100% dos casos.

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Por essas e outras razões, a vacinação é defendida por várias entidades médicas – Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), Sociedade Brasileira de Imuizações, Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Infectologia. É recomendado a vacinação desde 2007 e finalmente em 2013, incluída no calendário do Ministério da Saúde.

As vacinas contra o HPV foram desenvolvidas a partir de 1993. O princípio delas é induzir a resposta imunológica potente do organismo contra os principais tipos de vírus que causam tumor. Existem 3 tipos de vacina:

  1. Vacina Bivalente (Cervarix, Glaxosmithkline) confere imunidade aos virus 16 e 18.
  2. Vacina Quadrivalente (Gardasil, Merck & Co.) protege contra os tipos 16, 18, 6 e 11.
  3. Vacina Nonavalente – recentemente aprovada pelo FDA, ainda não disponível.

O Ministério da Saúde preconiza a vacina quadrivalente para meninas 9 – 13 anos. As vacinas são divididas em duas doses com intervalo de 6 meses entre elas.

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A Sociedade Brasileira de Imunizações e Sociedade de Pediatria preconiza a mesma vacina, porém em 3 doses. Já a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia orienta que mulheres entre 9 e 26 anos podem ser vacinadas.  Novos estudos mostraram que as vacinas também são seguras para mulheres com mais de 26 anos. Neste sentido, os fabricantes já iniciaram os procedimentos para que a Anvisa aprove seus produtos para faixas etárias mais avançadas.

Até o momento, não há estudos que comprovem benefício significativo em vacinar mulheres previamente expostas ao HPV. Isso quer dizer que algumas mulheres podem se beneficiar e outras não. Nesses casos, a decisão sobre a vacinação deve ser individualizada. É preciso sempre levar em conta as expectativas e a relação custo-benefício pessoal.

Por isso, informe-se com seu médico e cuide-se bem!

Fontes: INCA e MS

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