iMPLANTE CONTRACEPTIVO

POR DRA. PATRÍCIA PERES

1. O que é o implanon?

É um implante subdérmico, ou seja, que é colocado abaixo da pele, no braço da mulher, em forma de bastão de cerca de 4 cm, considerado um dos métodos contraceptivos mais eficazes. Ele libera diariamente pequenas quantidades do hormônio etonogestrel, um derivado da progesterona.

2. Quais os tipos de Implanon?

Implanon de primeira geração: É o implanon clássico. Não pode ser visto via raios-X, o que dificulta um pouco sua retirada caso o dispositivo saia do lugar. Possui um aplicador simples.

Implanon NXT: Considerada a segunda geração do produto, tem o mesmo tamanho, aspecto e flexibilidade. A diferença está no novo aplicador, que facilita a colocação, e na presença de sulfato de bário, o que permite que seja visto em raios-X.

3. Como evita a gravidez?

O implante evita a oscilação mensal dos hormônios que causa a ovulação, há o bloqueio da liberação do óvulo e ainda altera o muco do colo do útero, que é uma secreção mais espessa, dificultando a passagem dos espermatozoides e assim, a fecundação.

4. Quais são os benefícios do uso do implante?

Como método contraceptivo de longa duração, não perde a eficácia no caso de vômitos, diarreia ou na ingestão de outros medicamentos.

Estudos apontam alta aceitacao do método, com índice de 70,8% continuidade. Há redução do volume da menstruação, das cólicas menstruais, dos sintomas da TPM. Para se ter ideia, a cada 10 usuárias, 4 param de menstruar, 4 sangram a cada 2-3 meses, 1 sangra todo mês, 1 sangra mais que 2x no mês. Ou seja, 85 a 90% ficam bem. 

O implante contraceptivo hormonal também é comumente chamado de “chip hormonal”, sendo o método de maior eficácia, apenas 5 falhas em 10.000 pacientes em um ano.
Cada vez mais escolhido por adolescentes, por pacientes que amamentam e por pacientes que não podem tomar pilula anticoncepcional.

5. Qual a sua eficácia?

Os estudos comprovam alta eficácia, com dados de que apenas 5 a cada 10.000 mulheres engravidarão em um ano usando o implante subdérmico.

Em comparação:

– 2 a cada 1.000 usando o DIU hormonal

– 8 a cada 1.000 usando o DIU de cobre.

Para se ter uma ideia da efetividade desses métodos, a laqueadura tubária tem a estimativa de 5 falhas em cada 1.000 mulheres.

6. Qual a duração do implante?

Ele age por 3 anos. Após esse período, deve ser feita a troca.

7. Como é feita a Colocação?

A colocação do implanon é feita em consultório médico. O procedimento dura poucos minutos e consiste na inserção do implante como uma aplicação de injeção na face anterior do braço, geralmente de seis a dez centímetros acima da linha do cotovelo e embaixo da pele, com anestesia local. O dispositivo é invisível e não causa incômodo. O médico orientara o melhor momento para inserir.

8. Quem pode colocar o Implante?

Deve ser realizado uma avaliação médica completa, com história pessoal e familiar e exame clínico. Esta indicado para mulheres de todas as idades (que já tiveram a 1ª. Menstruação), que nunca tiveram relações sexuais, no pós-parto e na amamentação (não interfere na qualidade e nem na quantidade de leite). Pode ser usado em pacientes com doenças como hipertensão, diabetes e de tireoide. É um método ideal para quem esquece de tomar pílulas ou que não pode usar hormônios combinados (com estrogênios), para quem fez cirurgia bariátrica, para quem tem dificuldade de tomar medicamentos, ou têm enjoos. Auxilia muito na diminuição do fluxo menstrual, nas cólicas e sintomas da TPM.

9. Tem contra-indicação?

Sim. Nos casos de gravidez e câncer hormônio-dependente, principalmente câncer de mama.

10. Como é a retirada do Implanon?

Apesar de durar três anos, o dispositivo pode ser retirado a qualquer momento. O procedimento de extração ocorre com anestesia local e uma pequena incisão no local em que o chip se encontra. Em raros casos, o dispositivo pode mudar de posição, sendo necessária investigação médica e/ou exames complementares para localizá-lo.

11. O implante altera a fertilidade? Quanto tempo depois de retirado ocorre a gravidez?

O tempo de volta à fertilidade após retirar o implanon varia de acordo com o organismo de cada mulher. A bula do produto recomenda tentar engravidar após a menstruação seguinte à retirada.

12. O implante altera a menstruação?

Sim. Como a ovulação e a menstruação são inibidas pelo hormônio, pode haver sangramento irregular nos primeiros meses após a colocação. A prevenção da gravidez começa após a implantação, porém o organismo pode levar até seis meses para se adaptar ao método. Portanto, nesse período poderá haver desregulação da menstruação, e o período de adaptação depende de cada organismo. Os escapes podem ser variáveis, contudo, a eficácia contraceptiva é mantida.

13. Quais os efeitos colaterais?

Além da irregularidade na menstruação, sendo caracterizado por sangramentos de escapes, tipo borra de café, pode haver sangramentos maiores ou por outro lado a ausência de menstruação. O Implanon também pode aumentar a acne, a oleosidade da pele, dependendo de alguns casos, podendo ser controlado com medicações. Pode causar dor de cabeça, geralmente no primeiros 3 meses, melhorando após esse período. Há também relato de dor nas mamas e alterações de humor. Eventualmente pode ter dor e vermelhidão no lugar da aplicação nos primeiros dias. Alguns desses efeitos colaterais também são comuns em usuárias de DIU hormonal, que é um dos métodos mais semelhantes ao Implanon.

Importante sempre consultar o médico sobre os métodos contraceptivos e decidir juntos a melhor opção.