Todo mundo pode tomar Pílula? - Patrícia Peres

Todo mundo pode tomar Pílula?

Ginecologia

Todo mundo pode tomar Pílula?

Todo dia escuto no consultório uma paciente contando que começou tomar uma pílula por conta própria, ou que foi indicado pelas amigas que já usam, ou pela vizinha, pela mãe, ou pelo moço da farmácia ou simplesmente pelo “dr. google”. Isso é um perigo!

Pílulas são pequenos comprimidos com medicações hormonais destinados principalmente para evitar uma gestação indesejada, e assim, são chamadas de anticoncepcionais orais. Descoberta por acaso em 1960, a primeira pílula anticoncepcional surgiu no Brasil através do remédio Evonid R. Ná epoca, era feita com altas doses de hormônios. O achado, posteriormente estudado por médicos e cientistas, deu então às mulheres uma maior liberdade sexual, fazendo-as se sentir donas de seu próprio corpo e evitando a gravidez indesejada. São usadas também para tratamento nos casos de ovários policísticos, endometriose e adenomiose, assim como transtornos menstruais.

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Os existem 2 tipos de anticoncepcionais orais:

  1. Com hormônio único – progestagênio (por exemplo, Desorgestrel – Cerazetti, Nactali, Juliet)
  2. Combinada com 2 hormônios – progestagênio (levonorgestrel, gestodeno, desorgestrel, drospirenona, ciproterona) e estrogênio (etinilestradiol, estradiol)

 

Como qualquer medicação, existem efeitos colaterais e contraindicações, por isso não devem ser usados sem recomendação médica. Durante a consulta, o médico faz perguntas importantes sobre a saúde da mulher, dados sobre período menstrual, hábitos de vida, história familiar,  e juntamente com exame clínico analisa os riscos e beneficios das medicações.

Existem muitos tipos e dosagens hormonais diferentes em cada pílula, mas cabe ao médico avaliar junto a paciente qual a melhor indicação para ela, de acordo também com seus sintomas. É importante orientar outros métodos anticoncepcionais e os benefícios e efeitos de cada um deles.

Hoje em dia, muito tem se falado sobre TROMBOSE e o uso de pílulas. Pacientes com Trombosehipertensão arterial, doenças de coração e circulação, doenças do fígado e enxaqueca, fumantes, por exemplo, não devem fazer uso de anticoncepcionais combinados, pois estão relacionados ao aumento desse risco.

 

A trombose ou o tromboembolismo venoso é a terceira doença cardiovascular mais comum no mundo (após infarto e  AVC), é o termo utilizado para um grupo de condições em que ocorre a obstrução dos vasos sanguíneos por coágulos, chamados de trombos. Os coágulos podem se “desprender”, formando os chamados êmbolos e cair na circulação, causando obstrução dos vasos do coração, pulmão e cérebro. Dependendo do local, tamanho e tempo para o diagnóstico, podem causar doenças graves, com sequelas e as vezes, fatais.

tipos de trombose

Existem muitos fatores que podem aumentar a coagulação sanguínea e o risco de trombose, como por exemplo, períodos longos de imobilização, após cirurgias e acidentes, idade avançada, obesidade, câncer, alterações genéticas e hereditárias, fumo, gravidez e o uso de anticoncepcionais hormonais combinados.

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Tanto o estrogênio sintético quanto o progestagênio atuam aumentando os fatores de coagulação, entretanto, o efeito do estrogênio é potencializado dependendo da dose do estrogênio e do tipo de progestagênio associado. Mas quanto é esse risco?

Estudos atuais mostram que a pílula combinada moderna aumenta esse risco 2-3x, sendo mais evidente no 1o. ano de uso e em pacientes obesas, sedentárias e acima de 35 anos. São informações que assustam qualquer paciente. Para entender melhor o impacto, os riscos são:

  • Pacientes jovens: 2-5 eventos para cada 10.000 pacientes
  • Uso de pílula combinada: 6-15 eventos em 10.000 usuárias
  • Gravidez: 20-30 eventos em cada  10.000 gestantes
  • Pós-parto (puerpério/ 40 dias): 30-150 eventos em 10.000 pacientes

Ou seja, o uso de anticoncepcional aumenta o risco em 3-4x, a gravidez em 6x e pós-parto até 30x!!! Com essa informação poucas desejariam engravidar, não é mesmo? A questão é a seguinte, os riscos existem em vários tipos de pacientes, mas a ÍNCIDÊNCIA da doença continua BAIXA.

Blood-Test-03Outra dúvida que segue as pacientes é a realização de testes que previnam ou determinem o risco de trombose. Infelizmente, não há nenhum exame que possa determinar com certeza quem vai ter trombose ou não. Existem exames de sangue que pesquisam alguns
fatores e anticorpos, porém se o resultado for negativo, não exclui a possibilidade da paciente ter trombose e assim, não dá maior segurança em usar a pílula anticoncepcional.

Assim, vale ressaltar que o mais importante é consultar um especialista para tirar todas as dúvidas de qual o melhor método anticoncepcional e o melhor tratamento, pois não existe “a melhor pílula”, existe sim a melhor escolha para cada paciente, de maneira individualizada e consciente.

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