Zika Vírus e gravidez - O que fazer? - Dra. Patrícia Peres Ginecologista

Zika Vírus e gravidez: o que fazer?

Obstetrícia

Zika Vírus e gravidez: o que fazer?

Entenda o que é o Zika Vírus

No último ano, muito ouviu-se falar sobre o Zika Vírus e as consequências sobre alterações do sistema nervoso dos bebês, incluindo a microcefalia.

Zika Vírus e gravidez

O Zika Vírus é um flavivírus transmitido por mosquitos e foi, pela primeira vez, identificado em macacos, no Uganda, em 1947, através de uma rede que monitorizava a febre amarela.  O primeiro grande surto da doença causado pela infecção por Zika foi notificada na ilha de Yap (Estados Federados da Micronésia), em 2007.

Em Julho de 2015, o Brasil notificou os primeiros casos de infecção pelo vírus e uma epidemia de bebês nascidos com microcefalia no nordeste.

Zika-vírusA transmissão ocorre através da picada de um mosquito infectado do género Aedes, principalmente o Aedes aegypti. Os mosquitos Aedes picam, normalmente, durante o dia, sobretudo ao princípio da manhã e ao fim da tarde/princípio da noite. Eles têm preferência por climas quentes e úmidos, e por isso, aparecem mais em regiões tropicais.

Este é o mesmo mosquito que transmite a dengue, a chikungunya e a febre amarela.

Também é possível que o Zika Vírus seja transmitido por via sexual, como apontado em alguns trabalhos recentes. Outros modos de transmissão, como transfusões de sangue, urina e por meio da amamentação ainda estão sendo investigados.

O período de incubação (o tempo decorrido desde a exposição até aos sintomas) da doença do Zika Vírus não é claro, mas é provavelmente de alguns dias. Os sintomas são semelhantes aos de outras infecções por arbovírus, como a dengue, e incluem febre, erupções cutâneas, conjuntivite, dores nos músculos e nas articulações, mal-estar ou dor de cabeça. Estes sintomas são normalmente ligeiros e duram entre 2 e 7 dias.

Zika Vírus

O que sabemos até o momento é que o vírus tem alta afinidade pelo sistema nervos. Isso causa alterações anatônicas e fisiológicas para o bebê que está em formação no útero da mãe. São alterações como a microcefalia e atrasos no desenvolvimento intelectual e cognitivo de uma forma tardia nas crianças.

A infecção por Zika Vírus pode prejudicar o feto em qualquer fase da gravidez, não apenas se a mãe adoecer nas primeiras semanas de gestação. É o que mostra pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade da Califórnia, publicada no site da revista científica “The New England Journal of Medicine”. Hoje, falamos muito mais do que microcefalia, mas em “Síndrome Congênita do Zika”.

Por outro lado, muitos casos em adultos foram associados à síndrome de Guillain-Barré. Esta síndrome cursa com paralisia progressiva dos membros inferiores, tronco e membros superiores, de gravidade variável.

As principais medidas preventivas em relação ao Zika Vírus estão focadas em melhorias no saneamento básico. O  intuito é combater o mosquito por meio da conscientização e educação da população.

É importante tomar diversas medidas, como:

  • Eliminar focos de água parada,
  • Realizar a limpeza e fechamento das caixas d´água,
  • Dar destino correto ao lixo,
  • Usar telas nas janelas de casa,
  • Usar inseticidas e repelente

As principais recomendações pela Sociedade de Dermatologia em relação ao uso de repelentes estão listadas na figura abaixo:

Zika Vírus e repelentes

Para as gestantes, o acompanhamento nas consultas e exames de pré-natal são fundamentais para uma gravidez mais tranquila, pois há a oportunidade de realizar diagnósticos precoces.

Zika Vírus

Em caso de suspeita de infecção pelo Zika Vírus, deve-se imediatamente se dirigir ao hospital, posto ou clínica de saúde mais próximos. O diagnóstico é feito através da análise clínica e do exame sorológico de sangue. Com uma amostra de sangue, é possível pesquisar anticorpos específicos que combatem o vírus.

Através dessa técnica, chamada RT-PCR, também é possível identificar o vírus quando está em estágios de contaminação precoce. Entretanto, os exames não estão disponiveis a toda população.

Novas pesquisas estão em andamento para investigar as formas de transmissão da doença em gestantes e bebês. A cidade de Jundiaí é um dos 28 pólos de pesquisa sobre o Zika Vírus no Estado de São Paulo.

Cerca de 500 gestantes farão parte da pesquisa que acontece no Hospital Universitário de Jundiaí (HU). O objetivo é estudar a transmissão vertical (da gestante para bebê) do Zika Vírus e as repercussões físicas e mentais, tanto no organismo materno como no das crianças. Essas pessoas serão acompanhadas durante três anos em ambulatório especializado. Participam da pesquisa cerca de 120 pessoas, entre pesquisadores da área de Saúde e voluntários.

O estudo, com apoio da Fundação de Amparo e Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) é encabeçado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Universidade de São Paulo (USP), Centro Universitário Padre Anchieta (UniAnchieta), Centro Paulista de Medicina Fetal, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e Universidade de Campinas (UNICAMP).

Zika Vírus

Quem está tentando engravidar deve adiar os planos?

Vivemos um tempo difícil, cheio de perguntas, fontes e ansiedade para os casais que planejam uma gravidez. A infecção por Zika Vírus trouxeram medo e pavor para os casais que desejam filhos.

Na verdade, acredita-se que essa doença continue prevalente por algum tempo. Além disso, não se sabe se ao longo dos anos ela pode se agravar ou não. Por outro lado, pacientes com dificuldade para engravidar ou com idade avançada não podem esperar pela maternidade. Assim, o aconselhamento com o médico especialista deve ser esclarecedor, sempre individualizando cada caso.

Converse com seu médico também!

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